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Fabio Palmeira · Publicado em 23 de outubro de 2026

CHARGEBACK EM SUBADQUIRENTES: RISCOS, CONTROLES E AVALIAÇÃO OPERACIONAL

Gerir chargebacks vai além de responder contestações. É prevenir perdas, controlar riscos, cumprir obrigações aplicáveis e sustentar o crescimento.

O controle começa no credenciamento, com validação cadastral e análise da atividade comercial, mas não termina nele.

Os limites iniciais de antecipação de recebíveis devem ser definidos no credenciamento,

A avaliação de risco começa no credenciamento e deve considerar cinco dimensões fundamentais:

Revisões periódicas e extraordinárias devem confrontar as informações atuais com aquelas coletadas na filiação original.

Parâmetros de avaliação, limites de antecipação e regras de monitoramento devem ser dinâmicos, acompanhando mudanças no comportamento dos estabelecimentos e na evolução dos riscos.

FERRAMENTAS, AUTOMAÇÃO E CAPACIDADE OPERACIONAL

Após a filiação, utilizar sistemas automatizados de prevenção e monitoramento de fraudes, com regras de identificação de transações suspeitas, alertas de comportamentos atípicos e acompanhamento contínuo dos indicadores de fraude e chargeback.

Os resultados devem orientar a revisão da classificação de risco e a adoção de medidas preventivas.

Sistemas integrados devem permitir controle de prazos, análise automatizada de contestações, gestão de evidências e conciliação financeira.

O planejamento da capacidade operacional deve acompanhar o crescimento das transações, a complexidade das disputas, a produtividade das equipes e os prazos de atendimento.

RELACIONAMENTO COM OS ESTABELECIMENTOS NA GESTÃO DAS CONTESTAÇÕES

O relacionamento entre o subadquirente e os estabelecimentos comerciais é fundamental para o tratamento eficiente das contestações iniciadas pelos emissores dos cartões.

Devem existir canais de comunicação ágeis e processos estruturados para notificação das disputas, orientação sobre os motivos das contestações, solicitação de documentos e evidências e acompanhamento dos prazos de resposta.

Os estabelecimentos devem ser orientados sobre suas responsabilidades, os procedimentos de defesa e a importância da qualidade das evidências apresentadas.

PAINÉIS GERENCIAIS E INDICADORES DAS BANDEIRAS

Os painéis devem priorizar indicadores de chargebacks alinhados aos programas de monitoramento das bandeiras:

Além dos indicadores utilizados pelas bandeiras, os painéis gerenciais devem acompanhar a eficiência operacional e financeira, incluindo os resultados das defesas, a recuperação de valores, as perdas líquidas, o cumprimento de prazos e a produtividade das equipes.

Os critérios de cálculo, períodos de apuração e limites devem reproduzir as metodologias aplicáveis de cada bandeira.

Alertas preventivos precisam identificar desvios antes que resultem em penalidades financeiras, restrições operacionais ou descredenciamentos.

GOVERNANÇA E REGULAMENTAÇÃO

O relacionamento com adquirentes exige responsabilidades claras e formalizadas em contratos e SLA's , definindo o conteúdo das contestações para um correto entendimento e comunicação aos estabelecimentos , principalmente quanto ao prazo limite para as reapresentações, conforme as regras das Bandeiras.

A Resolução BCB nº 522/2025, que alterou a Resolução BCB nº 150/2021, reforçou o gerenciamento contínuo e integrado de riscos e a definição das responsabilidades nos arranjos de pagamento.

Entre as mudanças, estabeleceu:

AVALIAÇÃO OPERACIONAL DO SUBADQUIRENTE

A avaliação deve abranger a qualidade e o perfil de risco da rede de estabelecimentos, a efetividade dos processos de credenciamento e revisão das filiações, as políticas de antecipação de recebíveis e os respectivos limites de exposição financeira, os mecanismos de prevenção, detecção e monitoramento de fraudes, a eficiência dos controles de chargeback, o histórico de enquadramento nos programas de monitoramento das bandeiras, a conformidade regulatória e a capacidade operacional e tecnológica para sustentar o crescimento do negócio.

Uma baixa taxa de chargeback, isoladamente, não significa baixo risco.

Uma gestão madura antecipa desvios, previne penalidades, controla a exposição financeira e transforma informações de disputas em inteligência para decisões.

Qualify Advisory - Inteligência em Meios de Pagamento

Fabio Palmeira www.qualifyadvisory.com.br