Chargeback: um indicador de deterioração de risco na rede de estabelecimentos
Para adquirentes e subadquirentes, o chargeback não deveria ser tratado apenas como uma ocorrência operacional.
Ele é um indicador de deterioração do perfil de risco da rede.
O chargeback é, em grande medida, um indicador defasado. Quando a contestação é formalizada, o evento que originou o risco pode ter ocorrido semanas antes.
Por isso, uma gestão de risco eficiente precisa acompanhar também indicadores antecedentes.
Entre os principais destaco:
- Índice de chargeback: quantidade de chargebacks em relação ao total de transações.
- Índice de fraude: valor / quantidade de transações fraudulentas em relação ao volume processado.
- Índice de perdas financeiras: perdas efetivas em relação ao volume transacionado.
- Variação do volume transacionado e do tíquete médio: identifica crescimentos ou mudanças atípicas no comportamento dos estabelecimentos.
- Concentração de risco: exposição nos maiores estabelecimentos, ramos de atividade, canais ou segmentos.
Mais importante do que acompanhar cada indicador isoladamente é entender a correlação entre eles e a velocidade de deterioração.
Um estabelecimento com forte crescimento do volume transacionado, acompanhado por aumento de fraude, reembolsos e contestações, pode representar uma exposição muito maior do que aquela demonstrada pelo índice de chargeback naquele momento.
Para gestão de risco, a questão deixa de ser apenas:
“Qual é o nosso índice de chargeback?”
e passa a ser:
“Onde estão surgindo novas concentrações de risco na rede de estabelecimentos e com que antecedência conseguimos identificá-las e agir antes que se convertam em perdas?”
Essa visão permite atuar preventivamente em decisões de limites, antecipações, reservas, liquidação, credenciamento e continuidade da relação comercial.
Chargeback é um indicador de resultado. A gestão de risco começa antes dele.